segunda-feira, 20 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Tudo
quarta-feira, 8 de junho de 2011
nada
Era um não pensar delicioso, olhando aquilo, divino. Não amava, não pensava, não sentia, era um grande nada pronto a ser preenchido, por qualquer coisa. E ser qualquer coisa era fantástico. Você entende de tudo, tudinho um pouco de tudo que existe, pois tudo passou ali, num instante, carregando e descarregando tudo. E era só estar ali, sentado. Era algo parecido com não conter. Não tinha corpo. O coração explodiu, a língua pronta a desenvolver um vocabulário novo. Novos olhos é o mais incrível, olhar de novo, e de novo e ser tudo diferente a cada piscadela. O piscar sendo pausa para digerir novas imagens, e não uma fuga mínima de si. Não fugir é o máximo! Pois não existe eu, você, nada. Só aquele instante, de estar sentado, e ficar olhando o dia inteiro só. Incrível.
sábado, 28 de maio de 2011
Não pensei em título nenhum hoje.
Tenho tido dias atípicos, é verdade. Não por algo extraordinário, mas porque alguma coisa dentro de mim mudou. Na verdade ela já está quase reformulada, mas eu demorei muito tempo para me dar conta dela. Simplesmente porque dentro de tantas neuroses, eu não me dou conta de mim.
Sempre achei gente muito feliz burra. Entretanto, inteligente sou eu, que vivo deprimida? Ai, sempre vem aquele discurso clássico “As pessoas felizes são aquelas que não enxergam o que acontece no mundo”. Bom, eu enxergo, ou acho que enxergo, e isso não muda muito né? Afinal, estou deprimida demais pra tentar fazer qualquer coisa. E não nos deprimimos pelo mundo, nos enternecemos algumas vezes por algumas tragédias, mas passa, porque terminamos de ocupar nosso bode diário com alguma aflição nossa, vinda de hábitos que adquirimos.
Hoje acordei, vi um filme, vi dois. Quando ia pro terceiro, decidi me exercitar, pois isso é algo que eu sempre faço, exercício. No meio dele, tive uma crise de choro, pois aquilo que eu estava fazendo não tinha o mínimo sentido. Há anos eu faço milhões de exercício, minha barriga é rasgadinha, e só hoje eu fui perceber. É um ato totalmente vazio, que não sei pra que ou pra quem eu o faço, porque no final dá na mesma, nunca está bom. Mas também não posso ficar sem fazer, senão são milhões de vozes na minha cabeça me lembrando que eu vou engordar, vou lotar de celulites e todas as outras coisas que vem junto. E engraçado, que não é uma coisa que eu me preocupe muito nos outros, na verdade acho que não faz diferença. Mas eu? Eu tenho que me manter impecável, bonitinha, uma boneca. Faço diversas coisas diariamente que não fazem o mínimo sentido. Escondo-me diariamente atrás de um boneca. E boneca o ser inanimado. Pois até para sentir eu tenho dificuldade. Se não for algo extremo, assim, que arregace essa casca, eu não retiro a minha proteção. E Deus, eu tento. Mesmo. Sou apaixonada, muito apaixonada, mas não é algo gostoso, pois eu reluto todo dia a sentir isso, eu não me permito. Pois, é explodir com toda a estrutura montada, e me mostrar uma total débil extremamente sentimental. Eu Deus, eu amo muito.
Todos têm sua ‘bolha’ particular, mas permitir que ela atrapalhe o contato com algo real? Longe daqui de querer discutir o conceito de realidade, mas o que tomo como real, é o sentido da troca, da experiência, um sentir nato onde as energias se entrelaçam. Participo de poucos e deixo poucas pessoas participarem.
Ah! E claro, não esquecendo o maior dos hábitos, que é um erro quase geral. O do esvaziamento. Nos colocamos na frente do outro vazios, esperando que ele nos preencha, como se nada tivéssemos para oferecer. É um tanto egoísta não? Tanto com o outro, quanto conosco de não querermos partilhar. O anulamento próprio em função do outro. Com isso nada se aprende, nada se muda. Se ambos tiverem a mesma idéia, serão dois espaços vazios. Se só um tiver a idéia, não fará a mínima diferença, afinal o conteúdo será o mesmo pros dois.
Uma vez, me chamaram de mosca morta, e eu fiquei puta. Putíssima. Não com a pessoa, mas por mim, porque é verdade. Eu tenho medo, muito medo. Mas enquanto eu me guardo, pra algo que nem eu sei o que é, a vida passa, e rápido. É clichê mas funciona. Eu amo dançar, e infelizmente carreira em dança precisa começar cedo. Eu sou travadíssima por medo. Eu tenho medo da minha paixão. E o tempo passa, e juro, não quero ser dessas velhinhas que saem no jornal que começaram a dançar velhas e são exemplo de vitalidade aos 80. Eu quero isso agora, enquanto meu corpo não me limita. Engraçado, que quando não estou noiada, ele faz coisas ótimas. Se essa dicotomia corpo e alma for real, pobre do meu corpo, que se debilitou por uma alma totalmente problemática e nhé-nhé. Taí uma definição ótima nhé-nhé.
Talvez tenha pego referências erradas. Desde os 13 anos, gosto de ler tudo que cultue a morte. Costumo me identificar sempre com os deprimidos, esquisitos e muito com os coadjuvantes. E ai, acho que me acostumei a não querer conduzir nada, a não optar muito, e agora estou aqui, me expondo ridiculamente porque cheguei em um limite.
Engraçado, eu gosto de escrever, muito, e não estava conseguindo, pois qualquer ato artístico tem obrigação de ser sentido, e como disse, eu ando com problemas nessa questão, hahaha.
Mas hoje, hoje eu quebrei o hábito.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Só de vez em quando...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Procuro...
Hoje acordei suada e com o rosto coberto de lágrimas, causadas por um sonho ruim. Em vão, rolei meu corpo para o outro lado da cama, onde você não estava. Desesperada, transformei o vão entre a cama e a parede em um enorme abismo. Me agarrei forte no pedaço de madeira da cabeceira, sentindo o enorme espaço despreenchido. Não sei se era a cama, se era eu, se era o quarto, só sei que era tudo um imenso vazio, um grande nada no qual eu fazia parte. Afundava o rosto molhado no travesseiro, e um filete de esperança surgia ao ver que este produzia marcas molhadas no tecido - era um sinal de que ainda estava ali. Mas e você? Sem me soltar, procurei atônita teu cheiro no espaço, marcas no corpo, vazio.
Me diz, porque te escapas devagarinho de madrugada? O que fazes? Buscas um novo amor na calada da noite? Não consegues ver que sofro na ausência do toque seu? Que quando entrelaçados nossos corpos, não existe nada além dos limites da minha cama? E mesmo assim, você não está aqui. Sou apenas eu, mergulhada num imenso vazio, escuro, perturbada por um sonho ruim.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Sem título 6
Estou neste exato momento, rompendo o meu constante estado de tédio.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Sem título 5
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Sensíveis
Não conseguiu encará-lo de primeira. Seus olhos focaram-se no que havia atrás dele. Detestava a cor daquela parede. Voltou a olhá-lo. Ele continuava em seu estudo quieto, quase em transe, e ela se sentiu nua. Não adiantava arrumar o vestido, este se desfizera, e lá estava ela, exposta com seu corpinho infantil. Na verdade, já não tinha tanta certeza se ele era como na sua memória. Lembrou-se de outro dia, na frente do espelho onde, atônita, percebeu que brotara carne em lugares estranhos, e na lateral de sua barriga faltava. Não conseguiu decidir se essa carne faltante subira ou descera. Seu corpinho geométrico estava vulgarmente orgânico. Voltou, e seus olhos se encontraram.
Ele tinha assim, olhos fundos. Algo líquido. Via a pupila dele abrindo e fechando, como se estivesse fazendo um convite para entrar. Líquida. Subiu-lhe um calor. Foi se aproximando, a pupila cada vez mais dilatada, ela se preparou. Colocou-se em posição de mergulho, seria rápido, rápido -1..2..
E fora brutalmente retirada de seu devaneio por um estômago gritando indignado. Como odiava o corpo! Odiava a autonomia que ele tinha –fome, sede, cansaço, dor – odiava estar presa a ele. E os olhos dele, para seu pesar, estavam agora fechados.
Aquele calor concentrou-se nas coxas. Sentia aquele quentinho dançar de modo frenético. Subia de uma maneira divertida, lhe causando um riso leve. Subia, descia, escorregava pela pele, saia e entrava nos poros. Sentiu sua cabeça tombando devagar, até recair no encosto. Abria e fechava os olhos devagar, e numa dessas aberturas viu que de novo, ele a observava. Via dos poros dele, algo dançante escapando também, um calor saltitante na pele. A pupila dilatada. Eram cúmplices.
Veio o medo. Tentaria? A pupila agora estava enorme. Já podia enxergar, lá longe, uma forma sentada, também medrosa, ou tímida, esperando. Decidiu que o corpo ficaria, podia atrapalhar. Soltou-se com uma facilidade surpreendente, como se sempre houvesse sabido como.
Agora, tão fluída quanto aqueles olhos aguados, posicionou-se.
Se atirou.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Comentário
Amigo, de ti me despeço
Apesar de todo o amor que tenho no peito, engulo o choro e deixo que este se esvaia aos pouquinhos, transbordado.
Vou esvaziar. A cada gota que vai, é o que eu era que também se retira, e me vejo obrigada a reinventar-me. Não creio que possa me parir de volta, mas vou me permitir e deixar que me preencham. Destruir para construir. E este amor esparramado, cuidarei para que continue genuíno, sem manchas, como quando o dedicava a ti.
Sei que algo novo fluirá em mim, mas apesar disso, percebo que meu corpo é um retalho de emoções que me marcaram feito tatuagem. E pior, percebo em algumas marcas o sangue brilhando, novo, vindo de uma ferida ainda aberta. Vai passar, a dor vai passar, mas a olho com um carinho familiar, pois sei que tímida, ficará ai, cicatriz. Longe de mim desprezá-las! É a prova de que fui capaz de suportar o sentimento maior do mundo.
De que sou capaz.
Apesar das lágrimas que ainda me afloram com facilidade, me aflora também um sorriso sincero. Fomos verdadeiros. Cada beijo, cada toque, gemido, cada instante foi real, intenso, e vive num espaço atemporal, o qual o corpo não nos permite alcançar.
Então, aguento firme, na crença de que talvez não fossemos para agora. Aguento firme, na esperança de que eu seja capaz de suportar o que vier daqui pra frente, porque mesmo com essa angústia, que insuportável insiste em estar, sei que sou maior. Sou puro amor.
É com um sorriso aguado que me despeço, sabendo que teremos outros amores, mas que estaremos vivos num tempo só nosso.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Tristeza
não vai sobrar nada
não pretendo, claro, deixar nenhuma marca
a não ser a que no meu próprio rosto se revelará como queimadura
o caminho de minhas últimas lágrimas.
Vou encontrar o aconchego
na eternidade de meu sono terno
conseguido ás custas
de um peito rasgado pela desilusão
de uma alma em profundo desespero.